quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
"Caramba. Passei."
Explosão no peito, alegria impossível de ser contida, lágrimas nos olhos, alívio nos ombros. Tudo era reflexo daquilo que havia batalhado durante tempos, meses. Estava alí, seu nome. Estava alí mesmo.
Para outras, poderia ser algo quase idiota, um orgulho desnecessário. Aos que não entendiam, poderia ser algo distante e não importante. Mas para quem sabia, para quem havia lutado pelo sonho, era algo indescritível, uma vitória.
Vitória! Como era bom saborear a palavra... sentir que nada foi em vão: suas noites mal dormidas, seu "não" aos passeios, sua falta de internet e seu acúmulo de livros. Agora tinha certeza de que era capaz, agora poderia provar ao seu maior desafiador (que, por acaso, era ela mesma) que sim, conseguia... e conseguiu.
Chega daquela história de desocupação, mesmisse. Seu Ano Novo seria realmente novo, seria distinto dos outros, não seria mais um engano de que "agora tudo vai mudar". Consequentemente, não seria tão "confortável" como os passados, mas seria desafiador e instigante, ou seja, um outro universo, um muito diferente daquele que estava acostumada.
Pois lá estava mudando algo, com suas próprias mãos. E esse algo, leitor, era o seu futuro.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
- Elas sempre são suas desculpas.
- Sei disso, e tenho razão por usá-las.
- Fala sério. É só um mísero símbolo. Você sabe como sou.
- Vírgulas mudam tudo. Mudam o que quis dizer... você não pode ignorá-las só porque não quis ouvir, ou ler, que eu disse. Só porque não quis aceitar.
- Você está mentindo... eu não sou assim! Você que é detalhista demais... sentimentos não se resumem à virgulas! Diga logo o tem pra dizer. E seja direto.
- Não quero mais nosso relacionamento.
- Sem vírgulas, agora?
- Sim, sem nenhuma. Nesse caso, você poderia até colocar uma ou duas, assim mudaria tudo o que estou te falando. Mas isso vai de você, e do que você acredita.
- Não posso me enganar mais.
- Obrigado por entender.
- Não vá se perder por aí.
- Não vou. Até mais.
- Até.
domingo, 20 de dezembro de 2009

Teve que fazer uma faxina no quarto. Naquele quarto, que quase ninguém vai, que guarda memórias e lembranças.
Tudo desarrumado. Decepcionante, ao seu ver, ter que passar uma tarde nublada de sábado com a tarefa de deixar tudo arrumado.
"Queria estar em outro lugar, não aqui", pensava. Mas era inevitável, e aquele acúmulo de livros, fotos e cadernos estava cada vez crescendo mais e mais. E a paciência da dona da casa diminuindo cada vez mais e mais. "É, vou ter que me conformar com isto" aceitou sem muita espontâneidade.
"Como conseguimos tal bagunça?", indagava sem paciência para si mesma. De um dia para o outro, o número de coisas no quarto havia duplicado.... coisa incrível.
E começou a organizar tudo. Primeiro quase nem olhava e classficava como algo útil ou não. Caso não fosse, ia para o lixo. Caso fosse, ela o separava.
E uma hora se passou. Ainda na mesma tarefa, se pegou surpreendida lendo um dos livros. "O Livro das Virtudes Para Crianças"... se lembrava bem. Seu predileto, sim, era aquele. Sua mãe o havia encapado com plástico para não se danificar com a ação do tempo... foi sábia ao pensar assim. O livro tinha aproximadamente 14 anos e estava inteiro, com todas suas figuras expressivas e detalhistas dramatizando mais ainda as histórias ali contadas. Lembrava-se de uma, que foi a que mais lhe marcou: Cinderela Indígena. Bonita, muito bonita.
Como era bom reviver tudo aquilo.
Pensar nas noites que dormia na mesma cama com a mãe e a irmã, tomando um sorvete de danone em baixo de um edredom fofinho. Adorava ouvir histórias... adorava senti-las. Pouco a pouco, ouvindo a voz da mãe, começava a sentir os olhos pesados. Sinal de sono. "Acho que ela [a mãe] ficava feliz quando ouvia um bocejo", talvez era verdade, criança pequena realmente não dá dencanso.
Colocou o livro na pilha (que já estava grande, por sinal) e voltou ao trabalho. Avistou um caderno velho jogado no canto. Lembrou-se instantaneamente: seu ano da 3ª série do ensino fundamental."Que preocupação eu tinha com canetas coloridas!" era um capricho só. Vários recados de parabéns da professora, e uma letra até que bonitinha pra idade que tinha. "Bons tempos", refletia.
Depois disto, encontrou cartas, fitas k7 (a maioria da Disney), fitas de música, fotos de pequena e livros que poderiam ser muito interessantes. Estes ficaram guardados e separados. O resto foi posto, por milagre, na prateleira.
Por fim sua tarde havia sido diferente e surpreendente. Nunca poderia imaginar que uma faxina de 4 horas lhe trouxesse tanta felicidade e saudade. Agora sim entendia de maneira verdadeira o significado de "nostalgia".
Marcadores: lembranças, livros, memórias
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Sempre gostei de coisas diferentes e que dão à imaginação um espaço livre, principalmente na arte. Tanto em artes plásticas quanto em literatura, o Surrealismo representa muito bem esse jeito de se expressar.
O Surrealismo combina o real, o psicológico e o abstrato. Os artistas que o seguem, como Salvador Dalí, René Magritte, Marx Ernst (nas artes plásticas) , André Betron (na literatura) e Luís Buñuel (no cinema), acreditam que a arte se baseia em superar os limites da razão e lógica, e assim ultrapassa as barreiras da consciência, conseguindo chegar a uma representação dos sonhos humanos.
Ou seja, esta nova expressão não se prende à chamada ditadura da razão ou dos valores sociais, como: pátria, família, religião, honra. A contrariedade, o humor e o sonho são fatores que, se utilizados, libertam o homem de sua ideia de existência utilitária.
Outra coisa interessante é que o Surrealismo se baseia na arte automática. É um despejo dos pensamentos e sentimentos do artista no momento, sem restrições. Não pense que isso é fácil de fazer, heh.
Entre outras coisas, aconteceram o Manifesto Surrealista, o FIARI, etc. No Brasil, o Modernismo aderiu traços surrealistas como uma de suas influências.
Uma marca do movimento é a forte presença de exposição de uma verdade psicológica em objetos comuns do cotidiano, quase sem importância, transformando-os em imagens que migram da normalidade ao irreal.
De Salvador Dalí e Philippe Halsman. Uma das minhas imagens prediletas. Acredite, isso é uma foto, tirada na década de 40, século XX (quando o Surrealismo estava no seu ponto mais alto). Depois de várias tentativas, 28 no total, conseguiram um resultado surpreendente: sem nem menos imaginarem que um dia ia surgir o photoshop.


Obras de Vladimir Kush. O artista nasceu em 1965. Gosto muito das obras dele, possuem um tom romântico.
Outra do Dalí. Quem nunca teve que desenhar uma desta na escola? heh.Tava com saudade daqui!
beijo.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sobre a reforma otrográfica e os plugues de tomadas
1 comentários Postado por Giovanna Melanie às 13:39
Vendo o telejornal esses dias, vi uma mudança que com certeza está afetando e afetará pessoas que estão relacionadas com a parte elétrica de moradias, prédios, etc, e aquelas que querem comprar um novo aparelho eletrônico.
A novidade está causando muita revolta e, "conotivamente" falando, muito bafafá. Pessoas reclamando na reportagem do jornal que a mudança trará más consequências, que o prejuízo será enorme e toda aquela história.
Logo depois que vi, me lembrei diretamente de um outro assunto: a reforma ortográfica. É, causou muita revolta também, mas foi uma mudança necessária e muito bem estudada para ser feita. Não sei se teve muita repercussão na população em geral, mas quem ainda estuda e precisa fazer textos e documentos está tendo que se acostumar com novos hábitos, e, claro, deixar os antigos. (Pena que a reforma não fez nenhuma mudança em relação à crase, mas ok).
Reclamam mas não conseguer ver que a mudança foi realmente necessária. Os plugues novos uniformizaram a produção de tomadas, sendo assim mais fácil para o consumidor sobre qual comprar, né. Além disto, o risco de choques elétricos vai diminuir muito. A pessoa não entrará mais em contado direto com os pinos metálicos, o que acho muito bom, porque eu mesma já tomei muitos choques no computador, heh. O plugue se acomodará dentro de um "buraco" de 8mm a 12 mm de profundidade, assim não ficando exposto e também evitando a sua retirada acidental.
Credo Giovanna, que coisa mais chata de se falar no blog.
Eu sei, mas depois que vi a reação das pessoas em relação a mudança, fiquei preocupada. Em ambos os casos que citei, as pessoas ficaram bravas e revoltadas, pensando somente no presente: agora terei de mudar meu estoque, agora terei de estudar de novo, agora terei de comprar algo novo...
Acredito que mudanças existem e são feitas quando são necessárias. Principalmente essas, que envolvem milhões de pessoas. É prefirível se mover agora, mudar tal realidade que não é positiva, que ficar "confortavelmente" lidando com aquilo que é difícil e ruim de lidar.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A vista é de um marrom claro misturada com uma luz amena de cor amarelada. As nuvens estão a se mexer de forma furiosa e violenta no céu acima, tampando os raios do sol, que tentam, sem conseguir resultado, penetrar na camada espessa de gotícolas de água.
O vento penteia os cabelos e faz cócegas no nariz na menina que observa tudo aquilo com um olhar de admiração.
A sépia do ambiente faz com que tudo se torne uma grande foto antiga, onde o aconchego e a beleza estão mais presentes que nunca. Os imensos algodões dourados tomam formas de aparência sólida e forma distinta... uma se parece comente com uma grande pdra redonda cheia de rachos... outra com uma baleia, tão grande e tão bela que ao mesmo tempo que a garota tira o cabelo dos olhos para enxergar melhor, a imagem já desaparecia, como se o vento trouxesse lembranças daquilo que já ocorreu. Uma música se encaixaria perfeitamente na situação: "let the seasons begin..."
Não faz diferença se logo irá chover ou não.. o bom é sentir as costas sendo beliscadas pela grama quase macia e meio seca, e também sentir um sorriso aparecer pelo simples fato de poder estar sentada lá, sozinha, com ela mesma.
O vento aumenta agora e é possível ouvir as folhas do arbusto se mexerem de maneira uniforme e estalarem entre si. O céu está fervoroso, a cor muda, uma sensação gélida é encontrada no ar. Mais admiração é refletida na menina dos olhos.
E lá vem a sensação. Agora não é mais como um universo antigo, é um novo, agitado, melancólico. Um tom londrino é pintado no céu e a impressão é de que se está longe de casa, muito longe.
Agora o ar em correntes quase corta com minúscuclas gotas as mãos e os braços, desprotegidos devido estar vestindo um vestido. Mesmo assim, ela se sente feliz, feliz, diferente...
e então gotas grossas, duras e fortes começam a cair gradativamente, uma vez em seu ombro, outra em sua nuca. Depois, o gradativamente some, e a uniformidade é a palavra certa, onde quase não se dá para enxergar nada. O céu da noite agora está marrom, e pelo visto o tilintar de água durará a noite inteira.
E então, vai dormir.